Entendendo a Queda Localizada de Pelos em Cães
A perda de pelo em cachorros, particularmente quando se manifesta em áreas específicas e não de forma uniforme, pode gerar preocupação em tutores. Essa condição, conhecida como alopecia localizada, raramente é um evento isolado e costuma indicar uma condição subjacente que necessita de atenção veterinária. Ao observar o seu cão com falhas no pelo, é crucial investigar as possíveis razões por trás dessa alteração, que vão desde parasitas externos e infecções cutâneas até problemas hormonais ou reações alérgicas. Compreender esses fatores é o primeiro passo para garantir a saúde e o conforto do seu animal de estimação.
- A queda de pelo em partes específicas de cães indica problemas de saúde subjacentes.
- Causas incluem parasitas, infecções, alergias, desequilíbrios hormonais e estresse.
- Um diagnóstico veterinário preciso é indispensável para o tratamento.
- Cuidados com a pele e pelo fortalecem a saúde geral do animal.
Diferente da queda sazonal ou natural que afeta o corpo todo de maneira mais homogênea, a perda de pelo em algumas partes pode ser mais dramática, com falhas circulares, áreas avermelhadas, irritadas ou com crostas. O impacto visual pode ser alarmante, mas a abordagem deve ser calma e metódica. Cada tipo de perda de pelo, dependendo da localização e aparência, pode apontar para diferentes categorias de diagnóstico. Por exemplo, falhas simétricas podem sugerir problemas hormonais ou autoimunes, enquanto lesões isoladas e com coceira intensa geralmente levam a suspeitas de parasitas ou dermatites. O importante é não subestimar o sintoma e buscar orientação profissional.
Para diagnosticar a causa exata da queda de pelo localizada, o veterinário realizará um exame físico detalhado, coletará histórico do animal e, se necessário, solicitará exames complementares. Esses exames podem incluir raspados de pele para identificar ácaros, cultura fúngica para detecção de micoses, citologia para avaliar bactérias e células inflamatórias, ou até mesmo exames de sangue para checar desequilíbrios hormonais ou doenças sistêmicas. A precisão nesse processo é fundamental, pois o tratamento varia drasticamente de acordo com a origem do problema.
Principais Causas da Alopecia Localizada
Quando o pelo do cachorro cai em algumas partes, as razões mais frequentes recaem sobre fatores externos e internos que afetam a saúde da pele e dos folículos capilares. Parasitas são vilões clássicos; a sarna, causada por ácaros como o *Sarcoptes scabiei* (sarna sarcóptica) ou *Demodex canis* (sarna demodécica), é uma das primeiras suspeitas. A sarna sarcóptica provoca coceira intensa e perda de pelo geralmente nas bordas das orelhas, cotovelos e abdômen, enquanto a demodécica pode causar falhas mais generalizadas ou localizadas, muitas vezes sem coceira intensa inicialmente. Outros ectoparasitas, como pulgas e carrapatos, também podem desencadear dermatites alérgicas que levam à queda de pelo por coceira e auto-trauma.
Infecções cutâneas, sejam bacterianas (piodermite) ou fúngicas (como a Malassezia ou dermatófitos, que causam a dermatite preta em cachorro), também são causas comuns de perda de pelo localizada. Essas infecções muitas vezes surgem secundariamente a outras condições, como alergias ou parasitas, explorando uma pele já comprometida. Pontinhos pretos na pele do cachorro podem ser um sinal de foliculite bacteriana ou o início de uma infecção fúngica. Cicatrizes de feridas antigas, como as associadas à leishmaniose (ferida de calazar em cachorro), podem resultar em perda permanente de pelo na área afetada, mesmo após a cicatrização. Entender que a pele do animal é um órgão complexo, e que qualquer desequilíbrio pode se manifestar externamente, é essencial.
Diferenças entre Causas Parasitárias e Infecciosas
Parasitas como pulgas, carrapatos e ácaros desencadeiam reações inflamatórias e prurido, levando o cão a se coçar excessivamente. Essa coceira causa microlesões, quebra do pelo e, eventualmente, falhas. A *Demodex* é um ácaro que vive nos folículos, e em cães com sistema imunológico comprometido, pode proliferar, causando perda de pelo e inflamação, às vezes sem coceira intensa. Já infecções bacterianas e fúngicas frequentemente se manifestam como áreas avermelhadas, com pústulas (bolinhas de pus), descamação, crostas e, em alguns casos, um odor característico. A dermatite preta em cachorro, por exemplo, pode ser um sinal de hiperpigmentação secundária a inflamação crônica e infecções, onde a pele escurece e o pelo cai. É comum que essas condições se sobreponham: um cachorro com alergia a pulgas pode desenvolver uma piodermite secundária nas áreas mais afetadas pela coceira.
Alergias e Hipersensibilidades
As alergias são uma das causas mais prevalentes de problemas de pele em cães e, consequentemente, de queda de pelo localizada. A dermatite alérgica à picada de pulga (DAPP) é extremamente comum e pode causar intensa coceira e queda de pelo na base da cauda, coxas e abdômen, mesmo com poucas pulgas visíveis. Alergias alimentares podem manifestar-se com coceira generalizada ou focada em áreas como patas, orelhas e face, levando o cachorro a se coçar a orelha e lamber a pata incessantemente, o que pode resultar em perda de pelo nessas regiões. A atopia canina, uma alergia a componentes ambientais como pólen, ácaros do pó e fungos, é outra causa importante de prurido crônico e queda de pelo, frequentemente afetando as mesmas áreas em cada episódio. A pele fica inflamada, vermelha e propensa a infecções secundárias, exacerbando a perda capilar.
A manifestação alérgica pode variar de um prurido leve a uma inflamação severa, dependendo da sensibilidade do animal e do alérgeno. O que começa como uma leve irritação pode evoluir para um ciclo vicioso de coceira, lesão, infecção secundária e mais perda de pelo. A identificação da causa alérgica, seja alimentar ou ambiental, pode ser um processo de eliminação que requer paciência e acompanhamento veterinário rigoroso. O tratamento de alergias visa controlar os sintomas e, idealmente, identificar e remover ou dessensibilizar o cão ao agente desencadeador.
Condições Endócrinas e Metabólicas
Embora menos comuns que parasitas ou alergias, desequilíbrios hormonais e outras condições metabólicas podem levar à queda de pelo em algumas partes do corpo do cachorro, muitas vezes de maneira simétrica. Doenças da tireoide, como o hipotireoidismo, são uma causa frequente. Nesses casos, a pelagem pode ficar rala, seca, sem brilho e quebradiça, resultando em falhas que tendem a aparecer em ambos os lados do corpo, no tronco, pescoço e cauda. O cão com hipotireoidismo pode apresentar letargia, ganho de peso e intolerância ao frio. A pele pode ficar mais espessa e enrugada em algumas áreas, especialmente no rosto.
Outra condição endocrinopatia é a Síndrome de Cushing (hiperadrenocorticismo), onde o corpo produz excesso de cortisol. Isso pode levar à atrofia da pele, perda de pelo simétrica (principalmente no tronco e abdômen), abdômen penduloso, aumento da sede e da micção. A pele pode ficar fina, com vasos sanguíneos visíveis, e o pelo se torna frágil. A alopecia por Cushing geralmente não é acompanhada de coceira, a menos que haja infecções secundárias. Entender essas manifestações é crucial, pois o diagnóstico e tratamento dessas doenças sistêmicas são completamente diferentes das terapias para parasitas ou alergias.
Hipotiroidismo e Alopecia
No hipotireoidismo, a glândula tireoide não produz hormônios tireoidianos suficientes para regular o metabolismo do corpo. Isso afeta diretamente a saúde da pele e dos pelos. A queda de pelo não é necessariamente acompanhada de coceira, a menos que haja uma infecção secundária, e geralmente aparece de forma bilateral e simétrica. Áreas comuns para a perda de pelo incluem os flancos (lados do corpo), pescoço, base da cauda e as "articulações" do cão (cotovelos, joelhos). O pelo tende a cair facilmente ao ser puxado, e o subpelo pode desaparecer, deixando a pele exposta. A pele pode ficar pálida, espessa e com tendência a se tornar mais escura e enrugada com o tempo. O cachorro pode parecer mais apático e ganhar peso facilmente.
Síndrome de Cushing: Excesso de Cortisol
A Síndrome de Cushing ocorre quando as glândulas suprarrenais produzem muito cortisol, um hormônio esteroide essencial para diversas funções corporais. O excesso de cortisol afeta múltiplos sistemas, incluindo a pele e o sistema imune. A perda de pelo é um sintoma dermatológico proeminente, tipicamente simétrica e sem coceira, afetando o tronco, pescoço e, às vezes, as patas. O pelo fica fino e quebradiço, e o cão pode desenvolver uma barriga protuberante e fina. A pele pode apresentar calcificações, comedões (pontos pretos) e fragilidade. O aumento da sede, fome e micção são outros sinais clássicos que podem auxiliar no diagnóstico diferencial. O diagnóstico preciso envolve testes hormonais específicos solicitados pelo veterinário.
Outras Causas e Fatores Contribuintes
Além das causas mais comuns, a perda de pelo em algumas partes do corpo do seu cachorro pode estar ligada a outros fatores que merecem atenção. Problemas de estresse ou ansiedade, por exemplo, podem levar o cão a desenvolver comportamentos compulsivos, como o lamber excessivo das patas ou áreas específicas do corpo. Esse comportamento, conhecido como comportamental ou psicogênico, resulta em lesões por auto-mutilação, irritação e consequente queda de pelo nessas regiões. Mudanças drásticas no ambiente, solidão ou falta de estímulos podem desencadear esses comportamentos. O quadro pode se agravar se a área afetada desenvolver uma dermatite.
Questões autoimunes, embora menos frequentes, também podem causar alopecia. Doenças como o lúpus discoide ou a alopecia areata podem afetar a pele e a produção de pelo de maneira localizada ou disseminada. O lúpus, por exemplo, pode causar lesões despigmentadas e com perda de pelo no focinho, orelhas e patas. A alopecia areata causa a perda de pelo em áreas circulares bem definidas, sem inflamação aparente ou coceira, em locais variados do corpo. A gravidade e a apresentação clínica dessas doenças autoimunes variam muito entre os cães, necessitando de diagnóstico especializado.
Estresse e Comportamento Compulsivo
O estresse crônico ou a ansiedade em cães podem se manifestar fisicamente de diversas formas, incluindo a queda de pelo. Quando um cão está ansioso ou entediado, ele pode desenvolver comportamentos repetitivos e compulsivos. O ato de lamber persistentemente as patas pode causar feridas, inflamação e perda de pelo nessa região. Da mesma forma, o cão pode se morder ou se coçar em áreas específicas devido a um desconforto psicológico. A origem do estresse deve ser identificada e tratada, seja através de enriquecimento ambiental, treinamento, ou, em casos mais severos, medicação prescrita por um veterinário comportamentalista.
Doenças Autoimunes e Alopecia
Doenças autoimunes ocorrem quando o sistema imunológico do corpo ataca seus próprios tecidos. Em cães, algumas delas podem manifestar-se como problemas de pele e perda de pelo. A alopecia areata é uma condição onde o sistema imune ataca os folículos pilosos, levando à queda de pelo em áreas circulares, que podem reaparecer espontaneamente ou não. O lúpus discoide afeta principalmente a pele do focinho, deixando-a despigmentada, com crostas e perda de pelo. Outras doenças autoimunes, como o pênfigo foliáceo, podem causar pústulas e crostas que levam à queda de pelo secundária. O diagnóstico dessas condições é complexo e requer biópsia de pele e exames imunológicos.
A alopecia não é apenas um problema estético; em muitos casos, é um sintoma de que algo mais sério está acontecendo com a saúde do seu pet. Seja uma alergia que causa coceira intensa, uma infecção bacteriana que inflama a pele, um desequilíbrio hormonal que afeta o metabolismo ou um problema comportamental gerado por ansiedade, a perda de pelo localizada exige investigação. A intervenção precoce, com o auxílio de um veterinário, é a chave para um diagnóstico correto e um plano de tratamento eficaz, garantindo a qualidade de vida do seu companheiro canino.
O Papel do Veterinário no Diagnóstico
Diante da observação de pelo do cachorro caindo em algumas partes, a consulta com um médico veterinário torna-se um passo indispensável e não opcional. Tentativas de automedicação ou de adivinhar a causa podem agravar o quadro, atrasar o tratamento correto e causar sofrimento desnecessário ao animal. O veterinário é o profissional capacitado para realizar um diagnóstico preciso, utilizando seu conhecimento técnico e ferramentas específicas.
A primeira etapa no consultório é a anamnese, onde o veterinário coletará informações detalhadas sobre o histórico do cão: quando a perda de pelo começou, se há outros sintomas (coceira, vermelhidão, feridas, letargia, alterações de apetite ou sede), mudanças recentes na dieta, no ambiente ou na rotina do animal. Em seguida, o exame físico minucioso avalia a extensão da perda de pelo, a condição da pele, a presença de parasitas visíveis, inflamações, crostas, pústulas ou qualquer outra alteração dérmica. Este exame pode revelar padrões de queda (simétrica, assimétrica, em áreas específicas) que já direcionam o raciocínio clínico.
Exames Complementares Essenciais
Com base no histórico e no exame físico, o veterinário poderá solicitar uma série de exames complementares para confirmar ou descartar as suspeitas diagnósticas. Entre os mais comuns estão:
- Raspado de pele: Para identificar a presença de ácaros causadores de sarna (Demodex, Sarcoptes, Cheyletiella). O material coletado é examinado microscopicamente.
- Tricograma: Análise dos pelos coletados para avaliar sua estrutura, identificar quebras, sinais de infecção fúngica ou bacteriana, ou alterações no ciclo de crescimento.
- Citologia cutânea: Coleta de secreções ou células da superfície da pele (com fita adesiva ou swab) para examinar ao microscópio em busca de bactérias, leveduras (como Malassezia) e células inflamatórias.
- Cultura fúngica (Dermatofitose): Amostras de pelo e pele são cultivadas em meio específico para identificar fungos patogênicos como os causadores de micoses.
- Cultura bacteriana com antibiograma: Se houver suspeita de infecção bacteriana profunda, uma cultura pode identificar a bactéria e determinar qual antibiótico é mais eficaz contra ela.
- Exames de sangue: Hemograma completo, bioquímica sérica e testes hormonais (como T4 livre, TSH para tireoide; cortisol para Cushing) são cruciais para investigar causas endócrinas ou doenças sistêmicas.
A abordagem diagnóstica deve ser progressiva. Se os exames iniciais para parasitas e infecções comuns forem negativos, o veterinário avançará para investigar causas alérgicas ou endocrinopatias. Em alguns casos, testes de alergia (intradérmicos ou sorológicos) ou biópsias de pele podem ser necessários para confirmar diagnósticos complexos. O investimento em diagnóstico é o caminho mais rápido e seguro para a recuperação do animal.
Abordagens de Tratamento e Cuidados
O tratamento para a queda de pelo localizada em cães varia drasticamente dependendo da causa subjacente diagnosticada pelo veterinário. Não existe uma solução única, e o sucesso terapêutico depende diretamente da precisão do diagnóstico. Se a causa for parasitária, o veterinário prescreverá antiparasitários específicos (tópicos, orais ou injetáveis) para erradicar os ácaros, pulgas ou carrapatos. É fundamental seguir rigorosamente a dosagem e a duração do tratamento, bem como tratar todos os animais da casa e o ambiente para evitar reinfestações. O manejo de parasitas é um dos tratamentos mais diretos e comumente eficazes.
Para infecções bacterianas (piodermite) ou fúngicas, o tratamento envolverá o uso de antibióticos ou antifúngicos sistêmicos e/ou tópicos. Xampus medicinais, sprays ou pomadas podem ser prescritos para aplicação local, ajudando a limpar, desinfetar e acalmar a pele inflamada. A dermatite preta em cachorro, por exemplo, pode responder bem a tratamentos que combatam a causa primária (alergia, infecção) e, em alguns casos, a medicamentos que auxiliem na renovação celular da pele e clareamento.
Tratamento de Alergias e Condições Endócrinas
No caso de alergias, o tratamento pode envolver uma combinação de estratégias. Para alergias a picadas de pulga, o controle rigoroso de pulgas é primordial. Alergias alimentares exigem uma dieta de eliminação com proteína hidrolisada ou nova, sob supervisão veterinária. A atopia pode ser controlada com medicamentos que aliviam a coceira e a inflamação (anti-histamínicos, corticoides, oclacitinib, lokivetmab), e em alguns casos, imunoterapia. O objetivo é reduzir a inflamação e o prurido para permitir que a pele se recupere e o pelo volte a crescer.
Doenças endócrinas como hipotireoidismo ou Síndrome de Cushing requerem tratamento hormonal substitutivo ou de controle. Por exemplo, cães com hipotireoidismo recebem medicação diária com levotiroxina para repor o hormônio tireoidiano. O tratamento é crônico, mas com ele, os cães recuperam a energia, a qualidade da pele e do pelo. A resposta ao tratamento hormonal geralmente é excelente, e os sinais de melhora podem ser observados em poucas semanas, com a recuperação completa da pelagem podendo levar meses.
Cuidados com a Pele e Pelo no Dia a Dia
Independentemente da causa, cuidados gerais com a pele e o pelo são benéficos. Uma dieta balanceada e rica em ômega-3 e ômega-6 pode fortalecer a barreira cutânea e a pelagem, promovendo brilho e resistência. O uso de suplementos específicos para a saúde da pele, quando recomendado pelo veterinário, também pode auxiliar. Escovações regulares ajudam a remover pelos mortos, distribuir óleos naturais e verificar a presença de parasitas ou lesões. Banhos com xampus e condicionadores adequados para cães, com frequência orientada pelo veterinário, auxiliam na higiene e na saúde da pele. O ambiente do cão deve ser limpo e livre de alérgenos ou parasitas.
Em casos de alopecia psicogênica, o tratamento combina estratégias para reduzir o estresse e a ansiedade do animal, como aumento de passeios, enriquecimento ambiental, treinamento de obediência positiva e, quando necessário, medicação ansiolítica. É crucial abordar a causa comportamental para que a recuperação do pelo seja duradoura.
Prevenção e Quando Procurar Ajuda Imediata
A prevenção da queda de pelo localizada em cães foca em manter um estilo de vida saudável para o animal e em cuidados proativos. Uma dieta de alta qualidade, rica em nutrientes essenciais, contribui para a saúde geral da pele e do pelo, tornando-os mais resistentes a problemas. O controle regular de parasitas externos, com produtos adequados e orientação veterinária, é fundamental para evitar infestações por pulgas e carrapatos, que são gatilhos comuns para alergias e infecções secundárias. Mantenha o ambiente do cão limpo e livre de poeira, mofo e outros alérgenos que possam desencadear dermatites.
O bem-estar emocional do cão também é um fator preventivo importante. Proporcionar exercícios físicos adequados, estímulos mentais através de brinquedos e atividades, e uma rotina estável podem ajudar a reduzir o estresse e a ansiedade, prevenindo comportamentos compulsivos que levam à queda de pelo. Observar atentamente a pele e a pelagem do seu pet durante a escovação regular permite identificar precocemente quaisquer alterações, como vermelhidão, descamação, parasitas ou falhas de pelo, facilitando a intervenção antes que o problema se agrave.
Sinais de Alerta para Busca Imediata de Veterinário
Embora muitas condições de pele possam ser tratadas com sucesso com acompanhamento veterinário, alguns sinais indicam a necessidade de procurar ajuda profissional de forma imediata. Se a perda de pelo estiver acompanhada de:
- Coceira intensa e incontrolável: Que impede o cão de descansar ou causa feridas auto-infligidas.
- Sinais de dor: Vocalização ao tocar na área afetada, lambedura excessiva que causa sangramento.
- Lesões cutâneas severas: Feridas abertas, pústulas com pus, bolhas, ulcerações ou áreas com extensa descamação e crostas.
- Alterações no comportamento geral: Letargia extrema, perda de apetite, febre, vômitos ou diarreia persistente.
- Perda de pelo súbita e extensa: Especialmente se acompanhada de vermelhidão generalizada ou inchaço.
- Sintomas neurológicos: Desorientação, convulsões, fraqueza muscular.
Esses sintomas podem indicar condições mais graves que exigem diagnóstico e tratamento urgentes. Ignorar sinais de alerta pode levar a complicações sérias, sofrimento prolongado para o animal e um prognóstico mais reservado. A rapidez na busca por assistência veterinária é crucial para garantir o melhor resultado possível para a saúde e o bem-estar do seu cachorro.
Lembre-se que a pele e o pelo do seu cão são um reflexo da sua saúde interna. Qualquer alteração significativa, como a queda de pelo em algumas partes, é um chamado para atenção. A colaboração entre tutor e veterinário é a chave para desvendar os mistérios por trás da alopecia localizada e restaurar a saúde e a beleza da pelagem do seu fiel companheiro. Cuide bem do seu pet, e ele retribuirá com anos de amor e lealdade.
Quando a Pele do Cão Apresenta Pontinhos Pretos ou Crostas
Observar pontinhos pretos na pele do cachorro ou o surgimento de crostas pode ser um sinal de alerta para diversas condições dermatológicas, muitas das quais podem levar à queda de pelo em algumas partes. Os pontinhos pretos, em particular, podem ser indicativos de foliculite bacteriana ou fúngica, onde os folículos pilosos estão inflamados e infectados. Isso pode ocorrer secundariamente a alergias, parasitas ou outras irritações na pele. Em alguns casos, podem ser comedões (poros obstruídos), que também podem levar à inflamação e à queda de pelo ao redor.
As crostas, por sua vez, são geralmente um sinal de inflamação ativa, infecção ou trauma na pele. Elas podem se formar a partir de exsudato (líquido inflamatório), sangue seco ou acúmulo de células mortas da pele e secreções. A presença de crostas, especialmente em conjunto com vermelhidão, coceira e queda de pelo, indica que a barreira cutânea está comprometida e que há um processo inflamatório ou infeccioso em curso. É importante que o veterinário avalie a natureza dessas lesões para determinar o tratamento adequado, que pode envolver antibióticos, antifúngicos ou produtos para cicatrização e remoção de crostas.
Interpretando Pontinhos Pretos e Crostas
Pontinhos pretos na pele do cachorro podem ter múltiplas origens. Um veterinário pode suspeitar de foliculite bacteriana, onde pequenas pústulas amareladas se formam nos folículos e podem romper, deixando pequenos pontos escuros. A dermatite seborreica também pode manifestar-se com pontos escuros e descamação. Em casos de sarna demodécica, as lesões podem começar com pontinhos pretos indicando a inflamação do folículo antes da perda de pelo se tornar mais evidente. A correlação com outras condições, como a dermatite preta em cachorro (hiperpigmentação), onde a pele fica escurecida e pode apresentar pontos, é crucial para o diagnóstico diferencial.
Crostas em cães podem variar de finas e descamativas a espessas e aderidas. Crostas finas podem ser sinais de dermatite alérgica ou seborreica seca. Crostas mais espessas e amareladas geralmente indicam infecções bacterianas ou fúngicas. Em casos mais graves, como pênfigo foliáceo, crostas podem cobrir grandes áreas do corpo, levando à perda de pelo e dor. A presença de crostas em áreas específicas como patas, focinho ou orelhas pode direcionar o veterinário para causas como alergias de contato, sarnas específicas ou dermatites autoimunes. O diagnóstico cuidadoso é essencial para remover crostas sem causar mais danos à pele.
Alopecia e Problemas na Região Anal
A queda de pelo em algumas partes do corpo de um cachorro pode, por vezes, estar relacionada a problemas na região anal, embora não seja a causa mais comum. Cães que sofrem de coceira no ânus ou na área perianal podem desenvolver inflamação crônica ou infecção secundária nessas regiões. Essa irritação constante pode levar a um comportamento de lamber e morder a área, resultando em perda de pelo ao redor do ânus. Em alguns casos, a causa primária da coceira pode ser uma dermatite, parasitas intestinais, ou até mesmo problemas nas glândulas anais.
Se o seu cão coça a orelha e lambe a pata, é um indicativo de que pode haver um processo alérgico sistêmico em curso. Essa mesma alergia pode afetar outras partes do corpo, incluindo a região perianal, levando a inflamação, coceira e, consequentemente, queda de pelo localizada. Condições como giardíase, que causam diarreia crônica, podem irritar a pele ao redor do ânus, provocando coceira. A atenção a esses sinais de desconforto, mesmo que pareçam localizados, é fundamental para uma abordagem completa da saúde do seu pet.
Conexão entre Problemas Anais e Queda de Pelo
A irritação persistente na região anal pode ter várias origens. Glândulas anais impactadas ou inflamadas são uma causa comum de coceira e desconforto, levando o cão a se lamber excessivamente. A dermatite perianal pode ser uma resposta alérgica a componentes da dieta, ou pode ser agravada por infecções bacterianas ou fúngicas que se proliferam em pele inflamada. Em casos raros, tumores ou pólipos na região perianal podem causar irritação e comportamento de lambedura. Independentemente da causa, a fricção e a salivação constantes podem danificar os folículos pilosos e levar à perda de pelo nessas áreas específicas. O veterinário pode avaliar a necessidade de expressar as glândulas anais ou tratar infecções.
