O NexGard é seguro para cadelas amamentando?

A pergunta sobre se o NexGard pode ser administrado a uma cadela amamentando é crucial para a saúde e o bem-estar de toda a ninhada. A resposta direta, baseada nas diretrizes gerais e na falta de estudos específicos que comprovem sua segurança em lactação, é que o uso do NexGard durante a amamentação geralmente não é recomendado sem orientação veterinária explícita.

  • Uso não recomendado sem supervisão veterinária.
  • Falta de estudos específicos em cadelas lactantes.
  • Riscos potenciais para os filhotes via leite materno.
  • Alternativas seguras devem ser consideradas.

O NexGard é um antiparasitário oral à base de afoxolaner, eficaz contra pulgas e carrapatos. Sua formulação foi desenvolvida para cães saudáveis, e as informações de bula geralmente focam em cães adultos e filhotes com peso e idade específicos. No entanto, a fase de lactação representa um estado fisiológico particular, onde a segurança de qualquer medicação administrada à mãe deve ser avaliada não apenas para ela, mas também para os filhotes que dela dependem diretamente. A preocupação principal reside na possibilidade de os componentes ativos do medicamento serem transferidos para o leite materno, o que poderia expor os filhotes a substâncias para as quais eles não foram testados e que poderiam ser prejudiciais em suas fases iniciais de desenvolvimento. Por isso, a cautela e a consulta profissional são indispensáveis.

Entendendo o mecanismo do NexGard e a fisiologia da lactação

O NexGard atua no sistema nervoso dos insetos e aracnídeos, causando sua morte. O afoxolaner, seu princípio ativo, é absorvido pela corrente sanguínea do cão e se distribui pelos tecidos. Durante a lactação, a cadela tem uma produção intensa de leite para nutrir seus filhotes. Este processo envolve a passagem de substâncias do sangue materno para as glândulas mamárias. Se o afoxolaner ou seus metabólitos forem excretados no leite em quantidades significativas, eles podem ser ingeridos pelos filhotes. A fisiologia dos filhotes em fase de amamentação é delicada; seus sistemas, especialmente o nervoso e o hepático, ainda estão em desenvolvimento, tornando-os potencialmente mais suscetíveis a efeitos adversos de medicamentos que um cão adulto robusto poderia tolerar sem problemas aparentes. Essa suscetibilidade inerente é o principal fator que leva à recomendação de cautela e à preferência por tratamentos comprovadamente seguros para esta fase.

O que dizem os fabricantes e a literatura científica

As bulas dos produtos antiparasitários, incluindo o NexGard, são documentos técnicos que detalham as condições de uso, doses, contraindicações e precauções. Geralmente, elas indicam que o uso em cadelas gestantes ou lactantes deve ser feito sob estrita recomendação e supervisão veterinária. A ausência de estudos clínicos extensivos e específicos em cadelas lactantes com seus filhotes é um fator limitante para a liberação geral do uso. A indústria farmacêutica veterinária adota uma abordagem conservadora nessas situações para garantir a máxima segurança. A literatura científica veterinária, por sua vez, corrobora essa prudência, focando em tratamentos alternativos que foram testados e aprovados para uso em animais em fases reprodutivas e de amamentação. Pesquisas sobre a farmacocinética do afoxolaner em cadelas lactantes e a sua excreção no leite são escassas, o que reforça a necessidade de uma abordagem cautelosa e baseada em evidências disponíveis para outras classes de antiparasitários ou métodos de controle de parasitas.

Riscos potenciais da administração de NexGard em cadelas amamentando

A principal preocupação ao administrar qualquer medicamento a uma cadela amamentando é o risco de transferência do princípio ativo para os filhotes através do leite materno. Embora o NexGard seja geralmente considerado seguro para a maioria dos cães adultos quando usado conforme as instruções, a fase de lactação apresenta desafios únicos.

Efeitos adversos no filhote: transferência pelo leite materno

O afoxolaner, substância ativa do NexGard, é metabolizado no fígado do cão e excretado. Parte dessa excreção pode ocorrer nas glândulas mamárias, levando à presença do medicamento no leite. Filhotes recém-nascidos possuem sistemas hepático e renal imaturos, o que significa que eles têm menor capacidade de metabolizar e excretar substâncias estranhas. A ingestão de afoxolaner através do leite materno pode, teoricamente, causar efeitos adversos em seu sistema nervoso central, já que o medicamento atua nesse sistema nos parasitas. Embora a dose que chega ao filhote possa ser menor, a sua imaturidade fisiológica torna-o mais vulnerável a qualquer exposição. Os sintomas em filhotes podem variar, mas hipoteticamente poderiam incluir letargia, tremores, incoordenação motora ou outros sinais neurológicos, dependendo da sensibilidade individual e da quantidade ingerida. A falta de estudos específicos sobre a dosagem segura para filhotes via leite materno é o que gera a maior apreensão.

Impacto na saúde da cadela lactante

Embora o foco principal seja a segurança dos filhotes, a saúde da cadela amamentando também deve ser considerada. Cadelas em lactação gastam muita energia e nutrientes para produzir leite. Seu organismo está sob estresse fisiológico. Se a cadela apresentar efeitos colaterais ao NexGard – como apatia, vômitos, diarreia ou reações alérgicas –, isso pode impactar diretamente sua capacidade de cuidar dos filhotes e a qualidade do leite que produz. Em alguns casos, o estresse causado por efeitos adversos pode levar à diminuição da produção de leite ou até mesmo ao abandono dos filhotes. Portanto, qualquer tratamento administrado à cadela deve ser avaliado quanto ao seu perfil de segurança e tolerabilidade, mesmo que os riscos para ela sejam menores que para os filhotes. A prioridade é manter a cadela saudável e capaz de prover o cuidado necessário à sua prole.

Alternativas terapêuticas em fase de lactação

Felizmente, existem alternativas terapêuticas para o controle de pulgas e carrapatos que são consideradas mais seguras para cadelas em período de lactação. Muitos veterinários optam por produtos com histórico comprovado de segurança nessa fase. Medicamentos tópicos que contêm fipronil ou imidacloprido, por exemplo, quando aplicados corretamente na pele da cadela, têm menor probabilidade de serem transferidos para o leite em quantidades significativas. Existem também coleiras antipulgas e anticarrapatos de longa duração com princípios ativos que são liberados lentamente e têm um perfil de segurança bem estabelecido para lactantes. Além disso, em situações de infestações leves ou para filhotes muito jovens, métodos mecânicos de remoção de parasitas ou produtos tópicos de baixa toxicidade podem ser considerados. A escolha da alternativa mais adequada dependerá da avaliação do veterinário sobre o nível de risco de infestação e a espécie de parasita envolvida.

Quando a consulta veterinária é indispensável

A decisão de administrar qualquer medicação a uma cadela amamentando nunca deve ser tomada sem a orientação de um médico veterinário. A saúde da mãe e dos filhotes está em jogo, e um profissional qualificado é o único capaz de avaliar todos os fatores de risco e benefícios.

Avaliação individualizada da cadela e da ninhada

Cada cadela e cada ninhada são únicas. O veterinário considerará a raça da cadela, seu histórico de saúde, idade, peso e qualquer condição pré-existente. Da mesma forma, a idade e o estado de saúde dos filhotes serão avaliados. Filhotes prematuros ou com alguma debilidade podem ser ainda mais sensíveis. A presença de parasitas no ambiente e o nível de risco de reinfestação também são fatores determinantes. Por exemplo, se a cadela e o ambiente estiverem severamente infestados por pulgas ou carrapatos, o risco à saúde dela (e secundariamente aos filhotes, por estresse ou doenças transmitidas por parasitas) pode pesar mais na balança do que o risco teórico de um tratamento específico. A avaliação veterinária é, portanto, uma análise complexa e personalizada.

O papel do veterinário na escolha do tratamento antiparasitário

O médico veterinário possui o conhecimento técnico para interpretar a literatura científica, as bulas de medicamentos e os perfis de segurança dos diversos produtos disponíveis no mercado. Eles estão aptos a diferenciar entre medicamentos com dados de segurança robustos para lactantes e aqueles em que essa segurança não foi comprovada. O veterinário poderá prescrever um antiparasitário que seja eficaz contra os parasitas presentes, mas que também demonstre um baixo risco de transferência para o leite ou que tenha um perfil de segurança conhecido para os filhotes. Em muitos casos, eles podem optar por tratamentos tópicos com princípios ativos como fipronil, imidacloprido ou selamectina, que têm um histórico de uso mais seguro em cadelas amamentando, ou coleiras de liberação controlada. Eles também poderão orientar sobre a frequência ideal e os sinais de alerta a serem observados.

Monitoramento pós-tratamento

Mesmo quando um tratamento é considerado seguro, o monitoramento pós-administração é fundamental. O veterinário instruirá o tutor sobre quais sinais observar tanto na cadela quanto nos filhotes após a aplicação do antiparasitário. Isso pode incluir alterações no comportamento, apetite, níveis de energia, presença de vômitos ou diarreia, ou qualquer sinal neurológico incomum nos filhotes. Caso algum sintoma suspeito seja identificado, o tutor deve contatar o veterinário imediatamente. Este acompanhamento garante que, se ocorrerem reações adversas inesperadas, elas sejam detectadas e tratadas rapidamente, minimizando qualquer risco potencial à saúde do animal. A comunicação aberta entre tutor e veterinário é a chave para o sucesso e a segurança do tratamento.

Alternativas seguras ao NexGard para cadelas lactantes

Para garantir a proteção contra pulgas e carrapatos sem expor os filhotes a riscos desnecessários, existem diversas alternativas terapêuticas que são geralmente consideradas seguras para cadelas em período de amamentação. A escolha ideal dependerá da avaliação veterinária.

Tratamentos tópicos com bom perfil de segurança

Diversos produtos antiparasitários tópicos são amplamente utilizados e considerados de baixo risco para cadelas lactantes. Medicamentos que contêm fipronil ou imidacloprido como princípio ativo, quando aplicados corretamente na região da nuca ou entre as escápulas da cadela, agem localmente na pele e no pelo, com mínima absorção sistêmica. Essa baixa absorção significa que a quantidade de substância ativa que chega à corrente sanguínea e, consequentemente, ao leite materno, é reduzida. Exemplos incluem produtos como Frontline Spray (que pode ser mais versátil para aplicação em áreas específicas) ou outros spot-ons com esses princípios ativos. É fundamental seguir rigorosamente as instruções de aplicação e as recomendações de dosagem para maximizar a eficácia e minimizar a absorção sistêmica. A aplicação deve ser feita em um local que o filhote não consiga lamber diretamente.

Coleiras antipulgas e anticarrapatos de liberação lenta

Coleiras antiparasitárias de longa duração, como as que contêm deltametrina e imidacloprido (exemplo: Advantix) ou outras combinações de princípios ativos de liberação lenta, também podem ser uma opção. Esses produtos liberam os compostos ativos gradualmente ao longo de semanas ou meses, mantendo uma concentração terapêutica eficaz contra parasitas. O modo de ação e a liberação lenta geralmente resultam em menor probabilidade de atingir concentrações clinicamente significativas no leite materno. No entanto, é importante verificar a bula específica da coleira, pois alguns princípios ativos podem ter restrições. Coleiras como a Seresto (imidacloprido e flumetrina) são frequentemente citadas por seu longo período de ação e perfil de segurança, mas a decisão final deve sempre ser do veterinário, que avaliará a compatibilidade com a fase de lactação.

Outras opções e considerações de manejo

Em casos de infestações leves ou como medida complementar, o manejo ambiental e a higiene são essenciais. Manter o ambiente onde a cadela e os filhotes vivem limpo, aspirar com frequência e lavar a roupa de cama em alta temperatura pode ajudar a reduzir a população de pulgas. Para filhotes muito jovens, antes mesmo de serem desmamados, o controle de parasitas na mãe é a primeira linha de defesa. Se necessário, existem produtos muito específicos e de baixa toxicidade para filhotes em idades muito precoces, que o veterinário poderá indicar. O uso de produtos naturais ou homeopáticos para controle de parasitas geralmente não tem comprovação científica de eficácia e não devem substituir tratamentos veterinários comprovados em situações de risco. A combinação de métodos, sempre sob supervisão veterinária, é a estratégia mais eficaz para garantir a saúde de todos.

Manejo ambiental e preventivo contra parasitas

O controle de parasitas em cães não se resume apenas ao tratamento individual do animal. Uma estratégia eficaz, especialmente quando há filhotes envolvidos, requer um foco robusto no manejo ambiental e na prevenção contínua para minimizar a exposição e a necessidade de tratamentos mais agressivos.

Importância da higiene e controle ambiental

As pulgas, em particular, passam grande parte de seu ciclo de vida no ambiente (ovos, larvas e pupas), e não apenas no hospedeiro. Isso significa que, mesmo que a cadela esteja protegida, o ambiente pode ser uma fonte contínua de reinfestação. Manter a casa limpa é um pilar fundamental. Aspirar carpetes, sofás, frestas no piso e áreas onde o animal costuma ficar deve ser feito regularmente, especialmente durante a primavera e o verão, quando os parasitas são mais ativos. O saco do aspirador deve ser descartado imediatamente fora de casa para evitar que ovos ou larvas se desenvolvam. Lavar a roupa de cama do animal, mantas e brinquedos de tecido em água quente também é crucial para eliminar parasitas em diferentes estágios. A limpeza do quintal, removendo folhas caídas e detritos, e mantendo a grama aparada, ajuda a reduzir locais de abrigo para carrapatos e outros insetos.

Prevenção contínua para toda a família canina

A prevenção é sempre mais fácil e segura do que o tratamento de uma infestação estabelecida. Uma vez que a cadela e os filhotes estejam livres de parasitas, o objetivo é mantê-los assim. Isso geralmente envolve o uso contínuo de um antiparasitário adequado, escolhido em conjunto com o veterinário. Para cadelas lactantes, como discutido, as opções seguras são prioritárias. À medida que os filhotes crescem e atingem a idade e o peso adequados, eles também precisarão iniciar seu próprio protocolo de desparasitação, sempre seguindo a orientação veterinária. Um cronograma de prevenção que abranja todos os membros da família canina e o ambiente é a abordagem mais responsável para garantir a saúde e o conforto a longo prazo, evitando surtos que poderiam exigir tratamentos mais arriscados.

Vigilância e identificação precoce de parasitas

Mesmo com as melhores práticas de prevenção, é importante manter uma vigilância constante. Inspecionar a pelagem da cadela e dos filhotes regularmente em busca de sinais de pulgas (pequenos insetos escuros e rápidos) ou carrapatos (pequenos aracnídeos que se fixam na pele) é uma prática recomendada. Prestar atenção a comportamentos incomuns, como coceira excessiva, mordiscamento da pele, ou sinais de desconforto, pode indicar a presença de parasitas. A identificação precoce permite a intervenção rápida antes que uma infestação se estabeleça ou que os parasitas transmitam doenças. Se pulgas ou carrapatos forem encontrados, é essencial consultar o veterinário imediatamente para determinar o melhor curso de ação, especialmente considerando a condição da cadela amamentando e a idade dos filhotes.

Desmistificando mitos sobre antiparasitários em cadelas amamentando

O universo do controle de parasitas em animais de estimação é cercado por informações, nem sempre precisas. No campo da desparasitação de cadelas amamentando, alguns mitos podem levar a decisões equivocadas, colocando em risco a saúde dos animais.

Mito 1: Qualquer antipulgas é seguro para a cadela amamentando

Este é um mito perigoso. Como detalhado anteriormente, a fisiologia da lactação exige considerações especiais. Nem todos os princípios ativos são seguros para transferência no leite materno ou para a mãe sob estresse fisiológico. O que é seguro para um cão adulto em condições normais pode não ser para uma cadela em amamentação ou seus filhotes em desenvolvimento. É fundamental confiar em produtos com estudos comprovados de segurança para esta fase específica ou seguir a recomendação de um veterinário.

Mito 2: A baixa dose do medicamento no leite não prejudica os filhotes

Embora a concentração de um medicamento no leite possa ser menor do que a dose administrada à mãe, a imaturidade fisiológica dos filhotes pode torná-los mais suscetíveis. Seus sistemas de metabolização e excreção ainda não estão totalmente desenvolvidos, o que pode levar a um acúmulo do medicamento no organismo e a efeitos adversos inesperados. Além disso, a exposição precoce a determinados compostos pode ter efeitos a longo prazo ainda não totalmente compreendidos. A falta de estudos específicos sobre o impacto dessas baixas doses em filhotes torna essa afirmação arriscada.

Mito 3: Produtos naturais são sempre a melhor e mais segura alternativa

Enquanto alguns produtos naturais podem ter utilidade complementar ou em casos muito específicos, eles frequentemente carecem de comprovação científica robusta de eficácia e segurança comparados aos medicamentos veterinários registrados. Além disso, mesmo produtos naturais podem causar reações alérgicas ou toxicidade em doses inadequadas. Em situações de risco de infestação por parasitas que podem transmitir doenças graves, depender exclusivamente de opções não comprovadas pode ser arriscado. A recomendação veterinária para produtos com segurança estabelecida é sempre a mais indicada.

Mito 4: Ignorar os parasitas é mais seguro do que arriscar um tratamento

Ignorar parasitas como pulgas e carrapatos não é uma opção segura. Pulgas podem causar anemia, dermatites alérgicas e transmitir vermes. Carrapatos são vetores de doenças graves como a Erliquiose e a Babesiose, que podem ser fatais. Para a cadela amamentando, uma infestação severa pode levar à anemia ou ao estresse, afetando a produção de leite e o cuidado com os filhotes. Para os filhotes, a anemia por pulgas ou a contração de doenças transmitidas por carrapatos são riscos reais. Portanto, o controle de parasitas é uma necessidade para a saúde de toda a família canina, e a busca pela opção mais segura, sob orientação veterinária, é o caminho correto.

O impacto de parasitas na saúde reprodutiva e neonatal

A presença de parasitas em cadelas, especialmente durante os períodos de gestação e lactação, pode ter consequências significativas que vão além do desconforto imediato. A saúde reprodutiva e o desenvolvimento neonatal dependem intrinsecamente de um ambiente livre de parasitas e de um organismo materno saudável.

Parasitas e a saúde gestacional da cadela

Embora o foco principal deste artigo seja a lactação, é importante notar que as mesmas preocupações com a segurança de medicamentos se aplicam à gestação. Parasitas como carrapatos podem transmitir doenças graves que afetam a cadela grávida, como erliquiose ou babesiose. Essas doenças podem comprometer a saúde geral da mãe, levar a abortos espontâneos, natimortos ou ao nascimento de filhotes com baixo peso e debilitados. Pulgas, mesmo que não transmitam doenças tão graves quanto os carrapatos, podem causar anemia severa na cadela gestante, especialmente se a infestação for alta. A anemia reduz o suprimento de oxigênio para a mãe e os fetos, impactando negativamente o desenvolvimento fetal. A desnutrição causada pela perda de sangue ou pelo estresse da infestação também prejudica a capacidade da cadela de sustentar a gravidez.

Riscos para os filhotes no período neonatal

Os filhotes recém-nascidos são extremamente vulneráveis. Se a cadela estiver infestada por pulgas, os filhotes podem sofrer anemia rapidamente devido à perda de sangue para os parasitas. Uma infestação severa em filhotes muito jovens pode ser fatal. Além disso, as pulgas podem transmitir larvas de vermes intestinais, como o Dipylidium caninum, que podem infestar os filhotes diretamente. Carrapatos também podem ser encontrados nos filhotes, embora geralmente as mães infestas transmitam os parasitas para os filhotes em desenvolvimento. O estresse causado pela presença de parasitas pode levar à diminuição do ganho de peso, a um sistema imunológico enfraquecido e a uma maior suscetibilidade a outras doenças. O ambiente em que vivem também precisa ser livre de parasitas para evitar a reinfestação desde os primeiros dias de vida.

A importância de um protocolo de desparasitação pré-concepção e gestacional

Idealmente, cadelas que serão usadas para reprodução devem passar por um protocolo de desparasitação completo antes mesmo da concepção. Isso garante que elas estejam em excelente estado de saúde e livres de parasitas ao iniciar a gestação. Durante a gestação, o tratamento antiparasitário deve ser cuidadosamente planejado com o veterinário, focando em produtos comprovadamente seguros para essa fase. Muitas vezes, o controle ambiental e a remoção manual de parasitas são as primeiras medidas, seguidas por tratamentos mais específicos quando estritamente necessário e liberados pelo profissional. Um manejo sanitário rigoroso do ambiente onde a cadela se recupera após o parto e onde os filhotes nascem é igualmente crucial para prevenir contaminações. Esse planejamento antecipado contribui significativamente para a saúde reprodutiva e a sobrevivência e bem-estar da prole.

Entendendo a classificação de risco dos antiparasitários

A segurança de medicamentos em populações especiais, como fêmeas gestantes e lactantes, é avaliada com base em estudos e dados de farmacologia. Essa classificação ajuda veterinários e tutores a fazerem escolhas informadas.

Classificação de risco: EUA e Europa

Nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA) regula medicamentos veterinários. Na Europa, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e agências nacionais supervisionam esses produtos. A segurança de um princípio ativo em cadelas gestantes ou lactantes é geralmente determinada por meio de estudos específicos. Quando esses estudos não são conclusivos ou não foram realizados, o medicamento é classificado como de risco desconhecido ou não recomendado para essas fases. No caso do afoxolaner (NexGard), a ausência de estudos clínicos extensos em cadelas lactantes leva a uma classificação de cautela, onde o uso é restrito à orientação veterinária e quando os benefícios superam os riscos potenciais.

O que significa "não recomendado sem supervisão veterinária"?

Essa indicação em bulas de medicamentos significa que não há evidências suficientes para afirmar que o produto é totalmente seguro em todas as circunstâncias para essa população específica. Pode haver riscos teóricos ou observados em estudos preliminares. Portanto, o uso só deve ocorrer sob a supervisão direta de um médico veterinário, que avaliará a condição individual do animal, o nível de risco de parasitas, a disponibilidade de alternativas e os potenciais benefícios em comparação com os riscos. O veterinário poderá monitorar o animal de perto para detectar quaisquer sinais de reações adversas e tomar medidas corretivas, se necessário. É uma medida de segurança para evitar que tutores administrem medicamentos que poderiam ser prejudiciais sem o devido acompanhamento profissional.

Importância de consultar fontes oficiais e o veterinário

As bulas dos medicamentos e as informações fornecidas pelos fabricantes são as fontes primárias para entender as indicações e precauções. No entanto, a interpretação dessas informações e a aplicação ao caso específico de um animal em lactação devem ser feitas por um profissional. O médico veterinário tem acesso a bases de dados atualizadas, estudos científicos e à experiência clínica para tomar a melhor decisão. Consultar o veterinário não é apenas uma recomendação, é uma necessidade para garantir a saúde e o bem-estar da cadela e de seus filhotes. Ele é o profissional mais qualificado para ponderar os riscos e benefícios e prescrever o tratamento antiparasitário mais adequado e seguro para a situação.

Conclusão: Priorizando a segurança da mãe e dos filhotes

A saúde e o bem-estar de uma cadela amamentando e sua ninhada são prioridade máxima. Diante da pergunta sobre o uso de NexGard, a resposta mais segura, baseada na ausência de estudos robustos que comprovem sua segurança em lactação, é a cautela e a consulta veterinária.

A necessidade de um profissional qualificado

O médico veterinário é o guardião da saúde animal, possuindo o conhecimento técnico para avaliar a segurança de qualquer tratamento em fases tão delicadas quanto a gestação e a lactação. Ele considerará os riscos apresentados pelos parasitas, os benefícios de um tratamento eficaz e os riscos potenciais dos medicamentos, guiando o tutor para a melhor decisão. Nunca se deve administrar o NexGard ou qualquer outro antiparasitário a uma cadela amamentando sem antes consultar um veterinário e obter sua recomendação expressa.

Estratégias de proteção comprovadamente seguras

Felizmente, o mercado veterinário oferece diversas opções de controle de parasitas com perfis de segurança bem estabelecidos para cadelas em período de amamentação. Tratamentos tópicos com princípios ativos específicos, coleiras de liberação lenta e um manejo ambiental rigoroso são estratégias comprovadamente eficazes e seguras. A chave é adotar uma abordagem preventiva e escolher métodos que minimizem a exposição da mãe e dos filhotes a substâncias potencialmente nocivas.

Um compromisso com o cuidado responsável

Escolher o tratamento antiparasitário correto para uma cadela amamentando é um ato de cuidado responsável. Significa colocar a saúde e a vida dos filhotes em primeiro lugar, garantindo que eles cresçam em um ambiente seguro e que recebam os nutrientes e o cuidado necessários de uma mãe saudável. Ao priorizar a orientação veterinária e optar por métodos seguros, os tutores asseguram um futuro mais saudável para toda a sua família canina.